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19.07.2009 - Jornal de Itatiba

Filhos: ter ou não ter? 

Da Redação

É cada vez mais comum encontrar casais que optaram por não ter filhos e curtir a vida apenas na companhia um do outro, aproveitando para viajar ou adquirir bens materiais, sem se preocupar com fraldas ou material escolar. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que em 1997, o porcentual de casal sem filho no País era de 12,9%. Em 2007, o índice pulou para 16%. Ao mesmo tempo, aumentou o número de mães no período com apenas um filho – de 25,8% para 30,7%.

“Ao longo dos anos, vivemos mudanças nas metas, nos objetivos e podemos dizer até que os sonhos e desejos mudaram na medida em que temos um novo modelo de família”, explicou a professora Anália Martins Cosac Quelho, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade São Francisco (USF).

Além disso, estatísticas do IBGE indicam que a taxa de fecundidade atual de 1,86 vai cair ainda mais e se estabilizar em 1,5 filho por mulher a partir de 2028, levando assim ao crescimento negativo da população.

DIFICULDADES

De acordo com a psicóloga, são muitas as dificuldades para se criar um filho, principalmente no aspecto financeiro. “Hoje a sociedade de consumo nos impele cada vez mais a esta demanda, ou seja, cabe a família dar todo o suporte para o desenvolvimento saudável desta criança. Os pais têm a função de cuidar juntos deste bebê”, apontou. Além disso, a chegada de um filho causa um estranhamento entre o casal. “É um outro relacionamento que gera alterações em todo o grupo familiar”.

Anália tem hoje o que poderíamos chamar de “família média”. Aos 57 anos, ela é mãe de uma filha de 31 anos, outra de 29 anos, de um jovem de 26 anos e possui também uma neta, de quatro anos.

“Fundamentalmente minha escolha sempre foi a maternidade. Me formei em Brasília e trabalhava na Fundação Hospitalar do Distrito Federal, em uma instituição de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica, na qual havia realizado meus estágios de formação. Logo depois me casei e, como queria muito ser mãe, engravidei rapidamente da primeira filha”, conta. “Tentei nesta época iniciar o mestrado, mas não foi possível. Logo veio a segunda filha, nos mudamos para Campinas e algum tempo depois, quando já havia novamente iniciado o mestrado, engravidei do terceiro. Após o nascimento dele, comecei a trabalhar na USF, onde estou até hoje”, completa a psicóloga, feliz com sua vida.

SEIS FILHOS

Na contramão das estatísticas está a família de José Xisto da Silva e Maria Luiza da Silva. O casal, que oficializou a união no último dia 4, possui hoje seis filhos.

“Eu e Xisto nos conhecemos desde criança e a amizade permaneceu até nossa adolescência. Tomamos rumos diferentes; ele casou-se e eu também, então perdemos contato. Após 18 anos nos reencontramos, ambos estávamos separados e assim começamos uma história de amor”, relembra Maria Luiza.

Na época, o marido já tinha dois filhos – Alain (hoje com 23 anos) e Marcelo (com 26). A esposa era mãe de Diego (hoje com 25). “Adotei duas crianças: Thaís (14 anos) e Washington (13). Fomos morar juntos e de nossa união nasceu Laura (hoje com oito anos). Temos seis filhos e todos se amam e se respeitam”, conta a mãe, orgulhosa.

Porém, educar a todos não foi nada fácil. “Tivemos mais dificuldades em criar os dois adotados, pois eram crianças de rua e por consequência já vieram com problemas de desnutrição e atraso no aprendizado, problemas estes solucionados com muita luta e perseverança e, principalmente, muito amor”, afirma.

CASAMENTO

Hoje, Diego está casado e tem dois filhos (Heloísa, de cinco anos, e Diego, de apenas três meses). Alain, filho de Xisto, também se casou e também tem dois filhos (Guilherme, com um ano e oito meses, e Brenda de oito meses). “Nossas noras, Janaina e Natália, antes mesmo de se casarem, já faziam parte de nossos encontros familiares”, conta Maria Luiza.

Para ela, ter uma família grande é muito bom. “Sempre estamos em contato uns com os outros e nos ajudando. Por estarmos sempre mudando de cidade por motivo de trabalho, costumamos nos reunir nos aniversários e no Ano Novo em Itatiba, onde é o nosso lar”, explicou. “Esperamos que este amor e respeito que existem entre nós permaneçam nas gerações futuras”.

CINCO FILHOS

Para a livreira Eva Pontes, a riqueza das vivências, as diferenças de temperamentos, a originalidade de cada um, o aprendizado que cada geração traz e a amizade entre todos são algumas das vantagens em ter uma família grande.

Ela, que é mãe de Nívea (23 anos), Diego (21), Íris (18 anos), Yuri (15) e Nara (que tem 10 anos), diz que a opção pelos cinco filhos não foi exatamente “planejada”, mas ocorreu por uma escolha ligada a algumas crenças de um determinado modo de vida.

Casada com o pintor-letrista José Carlos Garcia, Eva diz que a maior dificuldade encontrada foi manter a qualidade da educação idealizada para os filhos, uma vez que a maioria destas necessidades é paga.

Hoje, com as “crias” crescidas, o programa preferido da família é assistir a um bom filme.

QUATRO FILHOS

Já a opção do casal de comerciantes Iolanda Escudeiro Netto e José Rodinei Netto em ter quatro filhas deve-se à família numerosa da qual fazem parte. Eles são pais de Mariana (de 24 anos), Silvana (23), Juliana (21 anos) e Giovana (19).

“Em casa somos em quatro irmãos. Nunca pensei em ter poucos filhos. Minha nona sempre dizia que filho é uma bênção”, afirma José Rodinei.

Iolanda, por sua vez, conta que seu avô enviuvou duas vezes e casou três vezes, tendo um total de 54 filhos. “Com minha avó, sua terceira esposa, teve 17, dos quais nove estão vivos. Tenho muitos primos. Somos em cinco irmãos. Na minha infância uma visita na ‘casa da vó’ já era festa. Acho que por isso nunca pensei em família pequena, com apenas um ou dois filhos”, comenta.

Ela lembra com carinho da infância das garotas. “Quando íamos ao supermercado, eu ficava com um carrinho para colocar as compras e meu marido ficava com outro para colocar as meninas menores e eu dizia: ‘deixem-me fazer a compra sossegada que quando eu acabar eu deixo vocês comprarem uma coisa cada uma; enquanto isso vão escolhendo o que vocês vão levar’”, recorda-se. “Assim elas ficavam quietas e não ficavam pedindo tudo. Mas quando eu acabava de fazer a compra era a vez delas e o carrinho do pai já estava cheio de guloseimas”, conta, aos risos.

Outro momento inesquecível para a mãe foi quando a filha mais velha, Mariana, ficou doente e permaneceu internada por quinze dias. “Ela tinha quatro anos e, quando eu voltava para casa, a Silvana perguntava quando a ‘Tata’ ia voltar porque era a vez dela ficar internada e tomar soro”, relembra.

FORMAÇÃO

Para Iolanda, um dos grandes obstáculos a serem superados durante a criação das filhas foi com relação à formação moral e religiosa. “Hoje temos muitas informações, como internet, televisão, revista. Então está tudo mais divulgado e às vezes atrapalha na educação. A adolescência está começando cada vez mais cedo”, avaliou.

Mas ela também enfrentou dificuldades perante o trabalho. “Precisei abdicar de minha vida profissional para cuidar das meninas. Fui ajudar meu marido no comércio e as levava junto quando pequenas”, recorda-se.

Quando ficavam doentes, a sogra, Dona Maria, ajudava Iolanda, levando as meninas ao médico, pois elas sempre ficavam doentes ao mesmo tempo. “Minha mãe, Malvina, ficava na retaguarda, pois ela morava em São Paulo e ficava mais difícil. Porém, sempre que podia vinha a Itatiba e passava uns dias para nos ajudar também”.

APOIO

José Rodinei acredita que a vantagem em ter uma família grande é poder dividir tudo - das alegrias às tristezas. Iolanda concorda e destaca o fato de nunca estarem sozinhos. “Nos momentos bons e nos momentos ruins sempre nos apoiamos. Além disso, sou muito festeira também. Para mim casa cheia é motivo de festa”, declarou. “Adoro ver a família reunida pelo menos uma vez por semana, já que cada uma tem seu compromisso”.

As duas filhas mais novas têm namorados, que inclusive participam dos eventos familiares. Para o futuro, o pai diz que as meninas têm livre arbítrio para decidirem se querem ou não dar continuidade à família numerosa. Já Iolanda abre o jogo. “Sei que não posso esperar por isso, porque a decisão vai ser delas, mas adoraria ter vários netos”, revela a futura vovó.


Veja em: http://www.ji.com.br/eda/19072009/editoriais/ced.htm



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